Convivialidade e sistemas alimentares: rumo a uma política de criação mútua
DOI:
https://doi.org/10.29147/revhosp.v23.1284Palavras-chave:
convivialidade, paisagens alimentares, sustentabilidade, ecologia políticaResumo
Diante da crise climática e da disfuncionalidade dos sistemas alimentares atuais, o conceito tradicional de sustentabilidade parece esgotado. Este ensaio propõe reativar esse conceito por meio da convivialidade, entendida não apenas como comensalidade, mas como uma ética política de "criação mútua" e simbiose entre humanos e não humanos. O objetivo é configurar a noção de paisagens alimentares conviviais como ferramenta de transformação ecológica e cultural. A metodologia combina revisão teórica — baseada em Ivan Illich e na virada ontológica — com a análise de casos em três âmbitos: ferramentas urbanas de inclusão (cozinhas móveis e tecnologia agrícola), patrimônio biocultural (iniciativas indígenas e gastronomia multiespécie) e arte ambiental. Os resultados demonstram que a convivialidade permite superar a visão tecnocrática, integrando dimensões afetivas e materiais que reconhecem a interdependência da vida. Conclui-se que as paisagens alimentares conviviais funcionam como plataformas intersetoriais capazes de gerar novas formas de conhecimento e cooperação, reorientando a política alimentar para a justiça social e a regeneração ecossistêmica.Downloads
Referências
Arora, S., Van Dyck, B., Sharma, D., & Stirling, A. (2020). Control, care, and conviviality in the politics of technology for sustainability. Sustainability: Science, Practice and Policy, 16(1), 247–262. DOI: https://doi.org/10.1080/15487733.2020.1816687
Asensio, R., & Cavero Castillo, M. (2013). El parque de la papa de Cusco: Claves y dilemas para el escalamiento de innovaciones rurales en los Andes (1998-2011) (Documento de trabajo No. 183). IEP.
Bang Larsen, L. (2016). Never was a whole: Linking the precarities. In J. Volz & J. Rebouças (Eds.), 32nd Bienal de São Paulo: Incerteza viva: Catalogue. Fundação Bienal de São Paulo.
Blanc, N., & Eudes, E. (2014). Art et Environnement. Plastik, 4. https://plastik.univ-paris1.fr/art-et-environnement/
Boisvert, R. (2010). Convivialism: A philosophical manifesto. The Pluralist, 5(2), 57–68. DOI: https://doi.org/10.1353/plu.2010.0001
Büscher, B., & Fletcher, R. (2019). Towards convivial conservation. Conservation and Society, 17(3), 283–296. DOI: https://doi.org/10.4103/cs.cs_19_75
Coole, D., & Frost, S. (Eds.). (2010). New materialisms. Duke University Press. DOI: https://doi.org/10.2307/j.ctv11cw2wk
Coral-Guerrero, C. A. (2018). Emprendimiento indígena, ¿una dimensión económica del "Sumak Kawsay"? REVESCO: Revista de Estudios Cooperativos, (129), 123–141. DOI: https://doi.org/10.5209/REVE.62849
Corbeau, J. P. (2005). Sociabilités urbaines contemporaines et cuisines de foire: De la convivialité à la commensalité. Diasporas. Histoire et sociétés, 7(1), 147–158. DOI: https://doi.org/10.3406/diasp.2005.1022
Demos, T. J. (2016). Decolonizing nature. Sternberg Press.
Derrida, J. (2000). Hostipitality. Angelaki: Journal of Theoretical Humanities, 5(3), 3–18. DOI: https://doi.org/10.1080/09697250020034706
Dipaola, E. M., & Lutereau, L. (2018). Condiciones de la hospitalidad: Una fenomenología a contrapelo. Límite, 13(42), 3–14. DOI: https://doi.org/10.4067/S0718-50652018000200003
Evans, J., & Lorimer, J. (2021). Taste-shaping-natures. Current Anthropology, 62(S24), S361–S364. DOI: https://doi.org/10.1086/714851
Given, M. (2013). Commotion, collaboration, conviviality: Mediterranean survey and the interpretation of landscape. Journal of Mediterranean Archaeology, 26(1), 3–26. DOI: https://doi.org/10.1558/jmea.v26i1.3
Given, M. (2018). Conviviality and the life of soil. Cambridge Archaeological Journal, 28(1), 127–143. DOI: https://doi.org/10.1017/S0959774317000609
Given, M. (2022). Flowing rock, dancing around trees: Conviviality and the landscape of Cyprus. Near Eastern Archaeology, 85(1), 4–11. DOI: https://doi.org/10.1086/718373
Grillo, E., Quiso, V., Rengifo, G., & Valladolid, J. (Eds.). (1994). Crianza andina de la chacra. PRATEC.
Hamant, O. (2022). La troisième voie du vivant. Odile Jacob.
Illich, I. (1973). Tools for conviviality. Harper & Row. DOI: https://doi.org/10.1558/isbn.9780714521602
Ingold, T. (1992). Culture and the perception of the environment. In E. Croll & D. Parkins (Eds.), Bush base: Forest farm (pp. 39–56). Routledge.
Krauss, J. (2021). Decolonizing, conviviality, and convivial conservation. Journal of Political Ecology, 28(1). https://doi.org/10.2458/jpe.3008 DOI: https://doi.org/10.2458/jpe.3008
Lemenager, S., & Foote, S. (2012). The sustainable humanities. PMLA, 127(3), 572–578. DOI: https://doi.org/10.1632/pmla.2012.127.3.572
Leung, D. S. C. (2021). Convivial agriculture: Evolving food and farming activism in South China. China Perspectives, 2, 29–38. DOI: https://doi.org/10.4000/chinaperspectives.11674
Müller, A., Evans, J., Payne, C. L. R., & Roberts, R. (2016). Entomophagy and power. Journal of Insects as Food and Feed, 2(2), 121–136. DOI: https://doi.org/10.3920/JIFF2016.0010
Nowicka, M., & Vertovec, S. (2014). Comparing convivialities: Dreams and realities of living-with-difference. European Journal of Cultural Studies, 17(4), 341–356. DOI: https://doi.org/10.1177/1367549413510414
Pantazis, A., & Meyer, M. (2020). Tools from below: Making agricultural machines convivial. The Greek Review of Social Research, 155, 39–58. DOI: https://doi.org/10.12681/grsr.24828
Paxson, H., & Helmreich, S. (2014). The perils and promises of microbial abundance. Social Studies of Science, 44(2), 165–193. DOI: https://doi.org/10.1177/0306312713505003
Pazzarelli, F., & Lema, V. (2018). A pot where many worlds fit. Indiana, 35(2), 271–296.
Stengers, I. (2005). The cosmopolitical proposal. In B. Latour & P. Weibel (Eds.), Making things public (pp. 994–1003). MIT Press.
Stengers, I. (2015). In catastrophic times. Open Humanities Press.
Swiderska, K., & Argumedo, A. (2017). ¿Qué es el patrimonio biocultural? IIED. https://www.iied.org/es/g04152
United Nations General Assembly. (2011). Report submitted by the Special Rapporteur on the right to food, Olivier De Schutter. Human Rights Council.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Raúl Matta

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores que publicam na RevHosp concordam com os seguintes termos:
Autores detêm os direitos autorais e concedem à Revista Hospitalidade o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Pública Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).








